BRASÍLIA
(Folhapress) – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de
Mello, autorizou, ontem, pedido da defesa do empresário Carlos Augusto
Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e suspendeu o seu depoimento na CPI, que
estava marcado para hoje. A ida de Cachoeira à comissão está suspensa
até que o tribunal analise o mérito do habeas corpus, instrumento
utilizado pelos advogados do empresário para requisitar o adiamento.
Esse julgamento não tem prazo para acontecer.A defesa também requisitava autorização para ter acesso às informações que estão sob a posse da CPI, criada para investigar suposto esquema criminoso em que Cachoeira é apontado como o chefe. Celso de Mello não tratou desta questão em sua decisão. O advogado de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, argumentou que o presidente da CPI, deputado Vital do Rego (PMDB-PB), não permitiu o acesso ao material colhido pela comissão e que não poderia prestar esclarecimentos sem saber sobre o que ele é investigado.
“É imperativo que Carlos Augusto e seus advogados conheçam previamente todas as provas que poderão servir de substrato aos questionamentos que decerto lhe serão dirigidos pelos parlamentares”, dizia o habeas corpus impetrado pelo advogado de Cachoeira. A expectativa dos integrantes da CPI, no início da noite de ontem, era que o Supremo negasse o pedido dos advogados de Cachoeira para adiar o depoimento. “Não tem motivo para o Supremo autorizar o adiamento. Até agora a CPI não produziu uma prova nova. Tudo que temos aqui, o Cachoeira e seus advogados já tiveram acesso há mais de um mês”, argumentou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que dedicou parte do dia a consultas dosdocumentos da Polícia Federal.
Ontem, no início da noite, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que não haverá prejuízo aos trabalhos da comissão se Carlinhos Cachoeira conseguisse adiar o depoimento. O senador disse que vai realizar reunião administrativa para votar requerimentos apresentados à CPI caso Cachoeira não atenda ao chamado da comissão. “Não altera negativamente (os trabalhos da CPI). O relator está com um norte muito bem posicionado e o depoimento do acusado é importante, mas certamente o relator já tem os planos alternativos para o caso de ele exercer suas garantias de ficar calado ou de o Supremo decidir liberando da sua presença aqui”, afirmou.
Vital do Rego disse que a reunião administrativa é um “plano B” para impedir que a comissão perca um dia de trabalhos. Estava prevista para a próxima quinta-feira a votação dos quase 200 requerimentos que esperam pela análise da CPI.
Fonte (Manoel Mariano)Blog
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